A diretora e roteirista Greta Gerwig leva para as telonas uma versão de sua própria história de vida através de Lady Bird.

A personagem titular é uma jovem que passa pela difícil transição da adolescência para a fase adulta, quando precisa escolher sua carreira, descobrir sua sexualidade e avaliar suas opções enquanto lida com um contexto de dificuldade financeira e conflitos familiares.

Saoirse Ronan, uma das melhores atrizes de sua geração, se encarrega de representar a visão de Gerwig para essa fase da vida; e faz isso com muita inteligência, humor e empatia. A personagem é, em si, uma força da natureza e que se torna rapidamente irresistível e uma delícia de acompanhar.

Fonte da imagem: Divulgação/A24

Há momentos de rebeldia, de reclusão, de euforia, como se poderia esperar de uma adolescente nessa faixa etária, mas Ronan e Gerwig tratam a personagem com carisma e justificam muitas de suas ações ao longo do caminho.

Um dos destaques da narrativa, e o que difere Lady Bird de outras tramas de amadurecimento, é a maneira como aborda a relação da protagonista com sua mãe. As brigas e provocações vão aos poucos dando lugar a um novo tipo de relacionamento – que pode não ser ideal, mas parte de uma busca pela compreensão.

Dessa maneira, Lady Bird: A Hora de Voar parece funcionar como um retrato geracional, mostrando não apenas a diferença das jovens de hoje em dia – que podem sonhar mais alto e com maior liberdade – mas como isso afeta e transforma também as relações entre mães e filhas.

Em uma cena que sintetiza muito bem essa ideia do filme, a mãe de Lady Bird diz que espera que a filha se torne a melhor versão que ela possa ser, ao que a protagonista responde: “E se esta for a melhor versão?”. O longa é inteiramente feito por diálogos como esse, que escondem na simplicidade um grande questionamento sobre identidade, expectativas e frustrações.