Atenção: este texto contém spoilers dos episódios finais da série The Looming Tower.

É até curioso colocar um alerta de spoiler em uma série sobre o 11 de Setembro, não é mesmo? É como se a gente estivesse avisando que você pode se supreender com o final de um filme sobre a Paixão de Cristo — todo mundo já está cansado de saber o que vai acontecer. Mas, será que sabe mesmo?

A série The Looming Tower — nos Estados Unidos exibida pelo Hulu, mas no Brasil disponível pela Amazon Prime — é centrada nos bastidores de operações da CIA e do FBI no período que antecede o atentado às Torres Gêmeas e segue um grupo de agentes focados na caçada a Osama Bin Laden antes mesmo que algo ocorresse — ou seja, foca no porquê de as coisas acontecerem, e não no que aconteceu, apenas.

O episódio final da temporada, não por acaso intitulado "9/11", já foi exibido no país norte-americano no dia 18 de abril, mas os três últimos ainda não estão disponíveis na Amazon brasileira, deixando os fãs da série bastante ansiosos.

Quem não aguenta esperar já pode conferir um pouco sobre os acontecimentos na internet. Em entrevista à revista Variety, um dos criadores de The Looming Tower revelou o maior dos tombos.

O espectador já sabia que não ia dar boa por conta de uma série de erros cometidos pelos agentes envolvidos. O que pouca gente imaginava era que justamente o protagonista da série, John O'Neill (Jeff Daniels), seria uma das vítimas do ocorrido.

Nos episódios finais, a audiência confere O'Neill preso nas Torres Gêmeas durante o ataque, além dos depoimentos da agente da CIA Diane Marsh e de Condoleezza Rice, então conselheira de Segurança Nacional do governo de George W. Bush.

Além de relatar o drama envolvendo O'Neill, a série enfatiza neste ciclo final justamente os pontos que já vinha preparando durante os primeiros: a guerra de egos dentro das agências que deveriam ter trabalhado em conjunto, a inexperiência dos envolvidos em subestimar a Al Qaeda e a indisponibilidade das informações, que deveriam ter sido compartilhadas desde o começo.

Combatendo estereótipos

A humanização que a série cria em torno das pessoas do outro lado, que não o dos estadunidenses, também é um dos pontos altos da produção. Além disso, ela mostra o distanciamento que existe entre o Islã, enquanto religião, e o terrorismo.

A jornada de Ali Soufan, por exemplo, funciona quase que isoladamente nesta primeira temporada de The Looming Tower focando justamente nesse ponto.

Ao longo do tempo, segundo Futterman, o personagem interpretado por Tahar Rahim busca não somente prender os inimigos, mas de certa forma defender sua religião e suas crenças diante do estereótipo que cada vez mais se intensificava e da ideia de que o Islamismo é conectado diretamente à violência.

"Há um momento em que ele finalmente chega até Abu Jandal, e o espectador sente como se estivesse em uma jornada para chegar até aquele momento. Ele alcança o que vem buscando — e não por meio de outras pessoas, não através da ação de norte-americanos, mas resgatando alguém de uma confusão fundamental da religião que compartilham."

Mostrando as diferentes realidades envolvidas em um episódio tão importante na história do país, a série foi, segundo o diretor, bastante cuidadosa com a forma como retrataria cada personagem em sua trajetória durante o processo de investigação e também nos momentos mais sensíveis, após o ataque.

Para isso, utiliza tanto filmagens ficíticas e detalhes que não aconteceram na realidade — como a mensagem de voz de O'Neill — quanto cenas documentais de vídeos feitos no 11 de Setembro.

Futterman não confirmou — mas também não negou — a produção de uma segunda temporada. Segundo ele, se os produtores decidirem por uma sequência, seria necessário alinhar se ela seria centrada no pós ou no antes do ocorrido, bem como quais personagens seriam trazidos de volta.

"Há uma sensação por parte de muitas pessoas [envolvidas na produção] de que nós estamos muito orgulhosos do que [a série] é. Será que queremos mudar essa experiência, tornando-a parte de uma coisa em andamento? Eu não sei. Talvez deixá-la viver como uma minissérie seja a melhor escolha para todos", encerrou.

Este texto foi escrito por Lu Belin via nexperts.