ATENÇÃO: CONTÉM SPOILERS!

No sexto episódio da segunda temporada de Westworld, que foi ao ar no domingo (27), tivemos uma grande reviravolta na trama. "Phase Space" introduziu um personagem não tão novo assim e abriu uma nova gama de possibilidades que, como sempre, o público não esperava.

Na cena final, Bernard (Jeffrey Wright) entra no sistema do Berço, a plataforma-base do sistema do código. No decorrer do episódio, ele e Elsie (Shannon Woodward) descobriram que alguém estava alterando as configurações do parque conforme os técnicos tentavam entrar nele, em uma espécie de contra-ataque. Mais misteriosamente ainda, a programação não mostrava o responsável pelas mudanças, fazendo parecer quase como se o sistema estivesse improvisando.

Então, Bernard decide entrar no sistema "pessoalmente", deixando que uma máquina o conecte a partir do seu cérebro de robô. Uma vez no sistema, o vemos em Sweetwater — o jeito que a produção encontrou de mostrá-lo cinematograficamente em um lugar que, em teoria, existe apenas em códigos de programação. E qual não é a surpresa quando ele entra no bordel Mariposa, só para se encontrar com Ford (Anthony Hopkins) — ou, ao menos, uma inteligência artificial que imite o criador do parque.

A volta de Ford e as pistas que ignoramos

É claro que foi surpreendente vê-lo, uma vez que Ford foi morto por Dolores (Evan Rachel Wood) no fim da primeira temporada, durante o brinde do que seria sua aposentadoria e acabou se tornando o começo da rebelião. Mas não deveria ser uma surpresa: ao longo dos episódios mais recentes, os produtores Jonathan Nolan e Lisa Joy deram algumas pistas disso. E agora que aconteceu, elas se tornam mais evidentes.

Para começar, não é a primeira vez que Ford aparece na temporada. O robô que é Robert criança já havia aparecido para discutir com o Homem de Preto (Ed Harris), enquanto Ford também tomou a voz da filha de Lawrence e de El Lazo — tudo para introduzir o jogo especial do milionário. Além disso, fomos apresentados a diversos flashbacks do jovem Ford na época da construção do parque, discutindo com Arnold sobre Dolores. É como se ele nunca tivesse ido embora — e de fato, não foi.

Além disso, o elenco vivia falando as próprias teorias do retorno do personagem de Anthony Hopkins. Louis Herthum, que interpreta o anfitrião Peter Abernathy, deu uma entrevista em que supunha um falso Ford. O ator afirmou: "Doutor Ford não foi morto. Esse era um anfitrião que ele estava fazendo nos porões. Ele enviou esse anfitrião para levar um tiro na cabeça. A razão pela qual vocês deveriam ter percebido isso era o aperto de mãos entre ele e Bernard. Sabe essa pista de que você pode descobrir se é um anfitrião pelo aperto de mãos? Vocês deveriam ter adivinhado por ela".

Apesar de ser uma boa teoria, parece bastante improvável que os produtores tivessem arriscado uma morte falsa do criador. Ford provavelmente está morto de corpo, mesmo que sua mente ainda orquestre o parque. Entretanto, aí surge uma importante questão: Bernard está assumindo um papel cada vez mais complexo na trama.

Qual é o papel de Bernard para a rebelião de Westworld?

Voltemos ao começo do episódio, na cena em que Dolores e Bernard conversam sobre o futuro da anfitriã. Já vimos esse diálogo uma dezena de vezes e agora entendemos: ele aconteceu uma dezena de vezes. Assim como William (Jimmi Simpson) testava a "fidelidade" do robô de James Delos (Peter Mullan). Parece nítido que Ford quer um robô que seja praticamente um humano, mesmo que os motivos não sejam claros ainda.

E quem melhor do que Dolores para cumprir o papel? Ela é perfeita para testar Bernard, uma vez que conheceu o próprio Arnold, antes que ele decidisse, por fim, colocar a narrativa de Wyatt em sua cabeça. Inclusive, no episódio "Phase State", tanto Dolores quanto Ford apareceram tocando o piano do Mariposa. Seria isso um indício de que eles estariam se comunicando? Porque Dolores vai precisar de toda a ajuda que puder para resgatar seu pai das mãos da Delos, para quem ele não passa de um grande suporte de informações. E sabemos que o criador pode fazer isso e nunca pareceu muito hesitante quanto a interferir diretamente na vida de suas criaturas.

Afinal, não é apenas com o Homem de Preto que Ford se comunica. Ele parece ter usado os indígenas da Nação Fantasma para guiar e, ainda que estranhamente, interagir com Maeve (Thandie Newton). Tudo graças a Bernard: após muitas tentativas e apagões, ele se lembra de ter transportado a consciência de Ford e a levado para o Berço — sobre o qual devemos também aguarar maiores explicações.

Afinal, ele funciona como um servidor e garante que os anfitriões se comuniquem entre si por meio dessa teia. Mas será que esse sistema é essencial para a existência dos anfitriões ou teriam processadores e sistemas independentes? Além disso, seria por meio dele que Maeve consegue controlar a mente dos outros robôs? Por uma conexão direta com o Berço — que só ela tem? Aliás, como ela desenvolveu esse poder de manipulação psíquica?

São muitas questões a serem respondidas, mas, se bem conhecemos Lisa Joy e Jonathan Nolan, isso não vai acontecer tão cedo.

Este texto foi escrito por Verenna Klein via nexperts.