Mais da metade do conteúdo novo adicionado à Netflix em 2018 é de produções originais do próprio serviço de streaming, segundo dados da empresa de pesquisas Ampere Analysis. De acordo com o relatório produzido pela firma inglesa, 51% do que entrou no catálogo no ano passado foi produzido pela própria Netflix. O número é mais que o dobro dos 25% observados em dezembro de 2016.

Os dados evidenciam a estratégia da Netflix de aumentar a oferta de conteúdo próprio, ainda que a classificação de “original” seja variável. Há séries ou filmes que a empresa produziu do início ao fim, assim como outros nos quais trabalha com parceiros. De qualquer forma, é sintomático que a maioria dos lançamentos a entrar no catálogo sejam produções próprias.

Quando comparado com o resto do catálogo, as produções originais correspondem a 11% das opções que estão na Netflix americana. O percentual pode parecer baixo, mas é quase o triplo dos 4% observados em 2016. Em relação aos concorrentes, o cenário mostra ainda mais discrepâncias: apenas 1% do conteúdo do Hulu e do Amazon Prime Video é formado por originais.

Conteúdo próprio representa 51% do que foi adicionado à Netflix em 2018(Reprodução/Netflix)

Para a analista da Ampere Lottie Towler, parece evidente que a Netflix está se movimentando para um modelo de autossuficiência, já que o foco em aumentar a oferta de conteúdo original no catálogo não dá indícios de diminuir. “Na realidade, a análise da Ampere mostra que a gigante do streaming está atingindo um ponto em que produz todo o conteúdo novo, enquanto apenas o conteúdo mais antigo é licenciado”, ela diz.

O investimento em produções originais também tende a ser uma estratégia para evitar problemas quando outras empresas retirarem os títulos que estão licenciados na Netflix. Isso já aconteceu com algumas séries conhecidas, a exemplo de Grey’s Anatomy, que foi removida da plataforma para integrar o serviço de streaming da Disney, a ser lançado em breve. A estimativa da Ampere é de que aproximadamente 30% do conteúdo da Netflix sejam provenientes de grandes estúdios americanos.

A impressão de que a quantidade de produções originais seja uma decisão estratégica é confirmada pelo chefe de conteúdo da Netflix, Ted Sarandos. Ele afirma que a necessidade de se preparar para uma realidade em que menos títulos estão disponíveis para serem licenciados é algo que a empresa viu antecipadamente. “E eu diria que, hoje, a grande maioria do conteúdo assistido na Netflix são nossos conteúdos originais.”

Ainda assim, ele reconhece que os programas pertencentes a outras empresas correspondem a muitas horas assistidas. Ao mesmo tempo, sustenta que uma lista com os 25 ou 50 programas mais assistidos seria dominada pelo conteúdo original. O CEO da Netflix, Reed Hastings, complementa dizendo que as séries originais sem script, como Queer Eye, estão entre as mais consumidas nessa categoria.

Este texto foi escrito por Camila Pessoa via nexperts.