Em janeiro de 2006, na alta cúpula do audiovisual, a Disney comprou a Pixar por US$ 7,4 bilhões. Em um lado mais modesto do ramo, lendo "A Guerra dos Tronos", os roteiristas David Benioff e D. B. Weiss se juntaram com um único e ambicioso desejo: adaptar o livro para a TV.

Mais de uma década depois, a dupla está prestes a estrear a oitava e última temporada de Game of Thrones, que chega pela HBO neste domingo (14). Confira como foi a jornada final para os dois em entrevista à revista EW:

Há quanto tempo já sabiam o contexto geral da narrativa nessa oitava temporada?

Benioff: Eu lembro de conversarmos a respeito na terceira temporada.

Weiss: Sabemos dos maiores eventos há uns 5 anos, pelo menos.

Já que pensavam sobre isso há tanto tempo, ficou mais fácil escrever os últimos episódios?

Weiss: Por um lado, quando você trabalha com algo por 10 anos, saber que está escrevendo os capítulos finais é mais difícil porque há um peso e uma pressão muito maiores naquelas cenas; qualquer fala parece mais importante do que nas temporadas passadas. De outro ângulo, as motivações de cada cena foram pensadas por 5 anos, então as bases na nossa mente estão mais fortes do que o roteiro no papel.

Ouvimos que vocês alertaram o elenco sobre spoilers na leitura do roteiro: “Nem mesmo uma foto das suas botas”.

Benioff: Se a NSA e a CIA não podem proteger todas as suas informações, que esperança temos? Não adianta, staffs vão vazar, então você tenta o melhor para limitar isso. Felizmente, a maioria das pessoas não quer que a história vaze, mas já tivemos problemas na pós-produção ou uma semana antes de um episódio estrear. Só ficaremos aliviados quando o capítulo final for ao ar sem um vazamento.

Quanto dessa temporada veio das discussões com George R. R. Martin sobre o final?

Benioff: [Antes] Nossa preocupação era dar spoilers dos livros, o que não aconteceu tanto. Agora que passamos os livros, parece que poderíamos estragar a experiência dos leitores, então concordamos com George que não diríamos o que será diferente. Assim, quando os livros saírem, as pessoas poderão aproveitar.

Weiss: A produção se tornou tão diferente [nas temporadas recentes] que não há como saber o que vai ou não aparecer nos livros.

A opinião das pessoas sobre o fim de uma série pode mudar como se sentem sobre o seriado inteiro. Para vocês, quão importante é que a series finale os convença?

Benioff: Uma boa história não é boa se você tem um final ruim. É claro que nos preocupamos, faz parte de qualquer série sobre a qual as pessoas amam discutir.

Weiss: Queremos que todos amem, mas sabemos que, não importa o que façamos, mesmo com otimismo, certo grupo vai odiar até a melhor de todas as possibilidades.

O que mais os anima nesses últimos episódios?

Benioff: Em parte, a performance do elenco. Vários estão conosco desde o início e, em muitos casos, superam as expectativas; atores como Lena Headey (Cersei) e Peter Dinklage (Tyrion) já eram ótimos no piloto. Olhando agora, você vê o quanto esses personagens se aprofundaram ainda mais.

E no enredo?

Weiss: Obviamente, Jon e Dany estão juntos. Não tivemos muito tempo para explorar sua relação na sétima temporada, mas agora haverá um novo tipo de relacionamento entre eles.

É claro que ainda tem o grande episódio de batalha. O diretor Miguel Sapochnik disse que não conseguiu pensar em uma sequência de ação maior na história do cinema.

Weiss: Também não consegui. Tem um filme do Takashi Miike, chamado 13 Assassinos, com um ótimo trabalho em 40 minutos. É o mais perto que consigo pensar.

Benioff: São vivos contra mortos, não dá para ser em 12 minutos. Há grandes batalhas desde a segunda temporada e, mesmo com orçamento para embates maiores, tudo se resume ao que será melhor para a história.

Na terceira temporada, havia a possibilidade de encerrar tudo com três filmes, por conta do orçamento. Vocês sentem que executaram esse desafio?

Weiss: Sim. A HBO afirmou que “daria os recursos necessários para fazer o que precisa ser feito”.

Benioff: E eles ficariam felizes se a série continuasse, se a temporada final tivesse mais episódios, mas sempre acreditamos que tudo daria umas 73 horas. Será mais ou menos isso. Ainda que quisessem mais, eles entenderam que é assim que a história termina.

Já têm planos do que vão fazer quando o episódio final for ao ar?

Weiss: Estaremos em um local não divulgado, desligando nossos celulares e abrindo várias garrafas.

Não vão ficar nem um pouco curiosos? Sei que vocês não são muito de redes sociais, mas não vão dar nem mesmo uma olhada no Twitter?

Weiss: Quando for seguro, alguém da HBO vai nos atualizar de como foi sem que precisemos realmente passar por tudo aquilo.

Benioff: Eu planejo estar muito bêbado e bem longe da internet.

Por fim, para cada um de vocês, qual é cena de que mais se orgulham na série?

Benioff: O arco de dois episódios que Miguel dirigiu (“The Battle of the Bastards” e o encerramento da sexta temporada, “The Winds of Winter”). A montagem em que Cersei consegue se vingar do Alto Pardal. Tantos departamentos se juntaram de um modo tão belo, e a direção de Miguel foi incrível.

Weiss: “The Battle of the Bastards” deu muito certo, mas acredito que [a melhor] será uma cena dessa temporada final. É bom se despedir no seu auge.

A oitava e última temporada de Game of Thrones estreia dia 14 de abril na HBO, às 22h.

Este texto foi escrito por Caíque Pereira via nexperts.

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