Segundo a empresa de consultoria PwC, a gigante do streaming pode estar chegando cada vez mais perto de ficar sem novos assinantes disponíveis nos EUA. À medida que mais concorrentes surgem, a Netflix pode não ter muito mais espaço para crescer.

"A Netflix parece estar se aproximando do pico de assinantes nos EUA", informou a consultoria em seu relatório Global Entertainment & Media Outlook 2019-2023, divulgado na quarta-feira (05). Aos olhos de muitos consumidores, a empresa domina o mercado de streaming no mundo todo, pois é onde o maior número de séries e filmes pode ser encontrado.

No terceiro trimestre do ano passado, a companhia bateu o próprio recorde, com 676 horas de programação original, segundo a Cowen & Co. O número anterior era de 500 horas em 1 trimestre, e essa foi a primeira vez que a Netflix o ultrapassou. Entretanto, a plataforma deverá se tornar tão popular nos EUA que alcançará um marco difícil.

De acordo com a PWC, a empresa poderá chegar a não ter mais usuários norte-americanos para atingir. Conforme a indústria se fragmenta, com a entrada de grandes nomes do entretenimento no mercado de streaming, a vantagem que a Netflix capitalizou até hoje como pioneira no setor continua sendo corroída.

A empresa está prestes a ver um novo conjunto de rivais somado ao mercado já existente, tais como Amazon Prime Video, HBO Go e Hulu (este último disponível somente nos EUA).

Netflix atinge pico e pode não ter mais novos assinantes nos EUA

O Disney+, vale lembrar, chegará ao mercado em novembro e custará US$ 7 por mês, quase metade do plano padrão da Netflix, que é de US$ 13. Além disso, o streaming incluirá títulos de Star Wars e produtos da Marvel e da Disney Pixar. O catálogo contará também com Os Simpsons e outros programas de TV, além de uma série de conteúdos originais, como o tão aguardado live-action de A Dama e o Vagabundo.

O Disney+ terá apenas uma fração do conteúdo da vasta biblioteca da Netflix, mas os principais especialistas da empresa esperam que a qualidade compense a quantidade. A Apple, por sua vez, está se preparando para lançar seu produto no fim do ano, o Apple TV+. A gigante da tecnologia mundial já recrutou nomes como Steven Spielberg, Oprah Winfrey e Jennifer Aniston para constar em sua biblioteca.

Enquanto isso, a Netflix continua elevando a aposta nos investimentos em conteúdo. Em 2018, gastou US$ 8 bilhões em programação com lucro. Neste ano, a empresa deverá investir cerca de US$ 13 bilhões para superar a NBCUniversal da Comcast (cujos gastos estão indexados em US$ 10 bilhões), que tem os maiores valores investidos em conteúdo do mercado nos EUA, de acordo com o relatório da PwC. Estima-se que a Amazon gaste cerca de US$ 5 bilhões, enquanto o Hulu, agora totalmente controlado pela Disney, gaste cerca de US$ 3 bilhões.

Ainda em 2019, a Netflix poderá perder muitos usuários. Entretanto, segundo a PwC, isso não significa apenas que os assinantes cancelarão suas contas mas também que poderão preferir outros serviços de streaming. O relatório da PwC revela que o número de assinantes do serviço sobe, mas o crescimento desacelera e todos os fatores citados acima acrescentam justificativas para o fato de que a Netflix poderá realmente atingir seu pico nos EUA em breve.

Este texto foi escrito por Amarilis Virgínia Ferreira via nexperts.